A Polícia Federal (PF), através dos delegados Cleyber Malta Lopes e Thiago Delabary, divulgaram a existência de uma “possível relação de negócios” entre o presidente Michel Temer e o ex-assessor da Presidência da República José Yunes. Malta é responsável pelo inquérito dos portos, que investiga o atual presidente, já Delabary apura a delação da Odebrecht que envolve o presidente e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Yunes é amigo de Temer há mais de 50 anos e foi assessor da Presidência até as primeiras informações da Odebrecht serem divulgadas, quando ele pediu demissão. Durante a operação Skala da PF, ele foi preso, mas solto em seguida. Segundo delatores, ele seria o intermediário entre valores de corrupção da Odebrecht e Michel Temer.

Em documentos anexados ao inquérito dos portos, aos quais o blog jornalista Andréa Sadi/G1 teve acesso, investigadores do Ministério Público Federal apontam o recebimento de um e-mail, com remetente anônimo, contendo informações de um suposto desvio de dinheiro da Odebrecht para “Michel Temer ou José Yunes”.

Segundo o documento enviado em março pelo MP à Polícia Federal, a denúncia anônima afirma que empresa do ramo imobiliário administrada pelos filhos de Yunes – a Yuny incorporadora – teria adquirido Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção emitidos pela Prefeitura de São Paulo) no valor de R$ 68 milhões em 2012 e os vendeu para a Odebrecht no ano seguinte por R$ 97,5 milhões “gerando à Yuny incorporadora lucro de quase R$ 30 milhões”.

Ainda segundo o denunciante, a Yuni não teria sequer pago os Cepacs, já que a venda para a Odebrecht aconteceu no mesmo mês em que seria paga a compra original. A denúncia, anônima, incluiu em documento anexo o contrato inicialmente confidencial entre a Yuni e a Odebrecht, e dados das demonstrações financeiras da Yuni que apontam os valores pagos e recebidos no negócio.

O blog conferiu as demonstrações financeiras e constatou que, em 2012, a Yuni informou os compradores de Cepacs em negócios realizados naquele ano, mas, em 2013, a demonstração financeira não informou o nome da Odebrecht no registro do negócio.

Em 2017, Yunes disse à Polícia Federal que fez apenas uma operação de venda de imóvel para o presidente.

 

Da Redação com Andréa Sadi/G1

Foto: Marcos Corrêa/PR

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