Em 2014, a candidata Marina Silva fazia duras críticas ao PT (com Dilma Rousseff) e ao PSDB (com Aécio Neves). O discurso era o mesmo: pouco posicionamento e mais plebiscito. O povo passou o primeiro turno daquele ano sem conhecer a candidata que estava substituindo Eduardo Campos, mas todos sabiam dos plebiscitos. Marina ficou fora do segundo turno, mas nos últimos dias decidiu apoiar o tucano Aécio Neves.

“Estamos diante da inflação, que corrói o salário dos trabalhadores. O dinheiro dos nossos impostos está escorrendo em casos de corrupção que envergonham o país. Espalha o medo, parte para ataques pessoais, ao invés de debater projetos e soluções porque sabe que assim evita expor as fraquezas e os erros do seu governo”, disse a ex-candidata ao se referir ao Partido dos Trabalhadores – naquele ano, Dilma buscava a reeleição.

Em 2018, Marina voltou atacando todos. Tanto Jair Bolsonaro (PSL), quanto Fernando Haddad (PT), passaram pela navalha da ex-senadora, ex-ministra de Lula e ex-candidata. Com o discurso de sempre, Marina ficou em oitavo lugar, atrás de Henrique Meireles, Cabo Daciolo e o novato João Amoêdo, e conseguiu 1% das intenções de voto, ou seja, 1.069.539 votos – muito diferente dos 22.159.951 votos que ela recebeu em 2014, quando ficou em terceiro.

A Rede Sustentabilidade anunciou neutralidade, mas faltando cinco dias para o segundo turno, Marina pareceu ter esquecido a ameaça da inflação, os casos de corrupção e as investidas do PT para esconder os erros que cometeu nos 13 anos de governo.

No texto publicado no Facebook, Marina começa pontuando que Jair Bolsonaro vai “desmontar a estrutura de proteção ambiental”, “minimiza a importância de direitos e da diversidade” e “mostra pouco apreço às regras democráticas”. Esses seriam alguns dos motivos que a levariam ao voto em Haddad. Por outro lado, diz que a campanha do PT “mantém o jogo do faz-de-conta do desespero eleitoral”, “não assumem os graves prejuízos causados pela sua prática política predatória, sustentada pela falta de ética” e afirma que os dirigentes do PT “construíram um projeto de poder pelo poder, pouco afeito à alternância democrática”.

Ela finaliza dizendo que dará “um voto crítico” a Fernando Haddad (PT), mesmo que no dia 12 de setembro tenha dito que “[Haddad] é muito semelhante [a Dilma]”, a mesma Dilma que ela combateu em 2014. Marina ainda acrescentou: “Se continuar fazendo o voto em cima apenas de quem é indicado, podemos ir para um poço sem fundo”.

Ora, não declarar voto em Bolsonaro ou Haddad seria compreensível. Afinal, a Rede declarou neutralidade e Marina fazia-se combativa durante os debates. Marina continua em um muro ideológico, tentando colocar a si mesma em um altar de honestidade e boas opiniões políticas, mas escolheu votar em Haddad para ver se tem alguma sobrevida na história eleitoral brasileira. E a história cobra.

 

Da Redação

Foto: Reprodução

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